CAPÍTULO 7

DOIS SÃO MELHORES DO QUE UM

Há momentos em que a vida parece pesada demais para ser carregada sozinho. Existem dias de alegria, mas também existem dias de cansaço, perdas, decisões difíceis e tempestades que chegam sem avisar.

É justamente nesses momentos que o valor da parceria aparece.

O casamento não foi pensado apenas para que duas pessoas dividam uma casa. Deus permite que duas vidas caminhem juntas, compartilhem responsabilidades, sustentem uma à outra e encontrem força na comunhão.

O segredo não está em nunca enfrentar dificuldades. Está em não precisar enfrentá-las sozinho.

A FORÇA DA PARCERIA

O material original apresenta Eclesiastes 4 como uma das bases para compreender o casamento bem-sucedido. A passagem mostra que existem vantagens espirituais e práticas em caminhar acompanhado.

Quando marido e esposa compreendem que são parceiros, a relação deixa de ser uma disputa para saber quem faz mais, quem manda mais ou quem tem razão. Passa a existir uma pergunta maior:

“Como podemos vencer juntos?”

“Melhor serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.

Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só, pois, caindo, não haverá quem o levante.”

Eclesiastes 4:9–10

Observe as palavras DOIS, MELHOR, LEVANTA e COMPANHEIRO.

O texto não apresenta a presença do outro como peso, mas como auxílio.

No casamento, parceria significa entender que a vitória de um também pode ser alegria do outro, e que a fraqueza de um pode ser ocasião para o outro oferecer apoio.

QUANDO UM CAI, O OUTRO LEVANTA

Todo ser humano passa por momentos de fragilidade.

Haverá dias em que o marido estará cansado.

Haverá dias em que a esposa estará emocionalmente sobrecarregada.

Haverá momentos em que um deles não terá respostas.

Nesses momentos, o casamento precisa ser mais do que uma fotografia bonita. Precisa ser abrigo.

Levantar o companheiro não significa fazer tudo por ele. Significa não abandoná-lo justamente quando ele mais precisa de apoio.

Às vezes, levantar significa ouvir.

Às vezes, significa orar.

Às vezes, significa assumir uma responsabilidade temporariamente.

Às vezes, significa encorajar quando o outro já perdeu a coragem.

E, em determinados momentos, levantar significa simplesmente permanecer ao lado.

Existe uma força extraordinária em poder olhar para o cônjuge e saber:

“Você não está sozinho.”

DIVIDIR PESOS E RESPONSABILIDADES

A vida conjugal possui responsabilidades. Existem contas, trabalho, casa, filhos, decisões, compromissos e inúmeras tarefas que precisam ser administradas.

Quando tudo é colocado sobre os ombros de apenas uma pessoa, o relacionamento pode transformar parceria em sobrecarga.

Dividir responsabilidades não significa necessariamente fazer exatamente cinquenta por cento de cada coisa. Significa perceber as necessidades da casa e participar de maneira responsável.

Há períodos em que um pode carregar mais porque o outro está atravessando uma fase difícil. Em outro momento, a situação pode se inverter.

O princípio é cooperação, não competição.

Um casamento saudável não pergunta apenas:

“Quem deveria fazer isso?”

Também pergunta:

“Como podemos cuidar disso juntos?”

COMPANHEIRISMO NAS DIFICULDADES

“Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?

E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão.”

Eclesiastes 4:11–12

A imagem é simples, mas profunda: juntos, dois possuem recursos que uma pessoa isolada não possui da mesma maneira.

No casamento, existem batalhas que não precisam ser enfrentadas individualmente.

Uma crise financeira pode exigir planejamento dos dois.

Uma dificuldade familiar pode exigir sabedoria dos dois.

Uma enfermidade pode exigir cuidado e presença.

Uma decisão importante pode exigir oração e conversa.

Uma fase emocionalmente difícil pode exigir paciência e acolhimento.

Companheirismo é permanecer presente quando a situação deixa de ser conveniente.

A SABEDORIA DE CAMINHAR ACOMPANHADO

A solidão dentro do casamento é uma das experiências mais dolorosas que duas pessoas podem viver. É possível estar acompanhado fisicamente e, ainda assim, sentir-se sozinho.

Por isso, o casal precisa cultivar amizade.

Precisa conversar.

Precisa compartilhar o que está acontecendo.

Precisa aprender a confiar.

Precisa desenvolver equilíbrio emocional.

O material original chama atenção justamente para diálogo, confiança, companheirismo e equilíbrio emocional como elementos importantes para a vida do casal.

“O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho.”

Provérbios 31:11

A palavra CONFIA merece atenção.

Confiança não nasce apenas de declarações; ela é construída através de atitudes repetidas de verdade, fidelidade, transparência e cuidado.

Onde existe confiança, o casal consegue compartilhar mais profundamente a própria vida.

DOIS CONTRA O PROBLEMA, NÃO UM CONTRA O OUTRO

Um dos grandes perigos de um casamento é quando marido e esposa começam a enxergar um ao outro como inimigos.

O problema deixa de ser algo que os dois enfrentam e passa a ser uma oportunidade para um vencer o outro.

Quando isso acontece, ambos perdem.

“Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto; toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.”

Mateus 12:25

A palavra DIVIDIDA é um alerta.

Uma casa não precisa concordar em tudo para permanecer unida, mas precisa aprender a não transformar cada diferença em uma guerra.

O casal pode ter opiniões diferentes. Pode discutir. Pode precisar de tempo para compreender uma questão.

Mas existe uma grande diferença entre discordar e destruir.

A maturidade conjugal aparece quando marido e esposa conseguem dizer:

“Nós temos um problema, mas nós não somos o problema um do outro.”

O FRUTO QUE SUSTENTA A PARCERIA

O material original também relaciona a vida do casal à ação do Espírito Santo e ao fruto que Ele produz.

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”

Gálatas 5:22

Essas palavras descrevem qualidades que fortalecem a convivência.

AMOR para permanecer.

PAZ para não transformar toda diferença em conflito.

LONGANIMIDADE para suportar processos.

FIDELIDADE para proteger a aliança.

MANSIDÃO para saber responder sem ferir.

DOMÍNIO PRÓPRIO para não permitir que as emoções governem as decisões.

A parceria não é sustentada apenas por organização. Ela também precisa de caráter transformado.

QUANDO A OBRA NÃO PODE ROUBAR A FAMÍLIA

O material original faz uma advertência importante sobre aqueles que se envolvem profundamente na obra de Deus e, ao mesmo tempo, podem acabar negligenciando o próprio casamento.

Servir a Deus é precioso, mas o serviço não deve ser usado como justificativa para abandonar responsabilidades dentro de casa.

“Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.”

2 Timóteo 4:5

A palavra SÓBRIO também nos lembra equilíbrio.

O casamento precisa ser cuidado enquanto outras responsabilidades são cumpridas.

Não adianta querer ajudar todos os casais se o próprio lar está sendo esquecido.

O ministério, o trabalho e os compromissos não podem substituir a presença, o cuidado e a responsabilidade dentro de casa.

Para quem recebeu uma família como parte da sua caminhada, cuidar dela também é uma forma de responsabilidade diante de Deus.

QUANDO UM ENCORAJA O OUTRO

Existem momentos em que uma simples palavra pode mudar o ambiente de uma casa.

Quando um diz “vamos conseguir”, o outro recupera esperança.

Quando um diz “estou com você”, o medo perde força.

Quando um diz “vamos orar”, a crise deixa de ser enfrentada apenas pela força humana.

Quando um reconhece o esforço do outro, a casa se torna um ambiente de encorajamento.

Casamento não é apenas dividir problemas. É também multiplicar esperança.

O casal precisa aprender a celebrar pequenas vitórias, reconhecer esforços e lembrar um ao outro que nenhuma estação difícil dura para sempre.

O PRINCÍPIO DE ECLESIASTES 4

Eclesiastes 4 apresenta uma sequência poderosa:

dois trabalham, dois levantam, dois aquecem e dois resistem.

Existe trabalho compartilhado.

Existe cuidado compartilhado.

Existe proteção compartilhada.

Existe resistência compartilhada.

E então aparece uma das imagens mais conhecidas da passagem:

“O cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.”

Eclesiastes 4:12

Esse último versículo prepara o caminho para o próximo capítulo, que tratará especificamente do cordão de três dobras.

Aqui, porém, precisamos guardar uma verdade:

Deus não chamou marido e esposa para viverem como dois estranhos que apenas dividem o mesmo endereço.

Ele os chama a construir uma caminhada em que um fortalece o outro.

CONCLUSÃO — MELHOR SEREM DOIS

Dois são melhores quando aprendem a caminhar juntos.

Quando um cai, o outro levanta.

Quando um está cansado, o outro ajuda.

Quando um não sabe o caminho, o outro participa da busca.

Quando chegam as dificuldades, os dois resistem.

Quando chegam as conquistas, os dois celebram.

Quando a vida pesa, os dois repartem o peso.

Quando o medo aparece, os dois podem buscar a Deus.

O casamento não foi criado para que marido e esposa simplesmente coexistam. Foi criado para que aprendam a compartilhar a vida.

Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes que um casal possa fazer seja:

“Estamos realmente caminhando juntos?”

Não apenas dormindo na mesma casa.

Não apenas pagando as mesmas contas.

Não apenas criando os mesmos filhos.

Mas caminhando juntos no coração, na responsabilidade, na fé e no propósito.

Porque quando dois aprendem a permanecer lado a lado, aquilo que parecia pesado demais pode se tornar suportável.

E quando Deus também é buscado nessa caminhada, a parceria humana encontra uma fonte maior de força.

Dois são melhores do que um — porque, na aliança, um pode levantar o outro.