CAPÍTULO 10 — O PODER DA CONCORDÂNCIA
O PRINCÍPIO BÍBLICO DA CONCORDÂNCIA
Concordância não é simplesmente pensar igual.
No casamento, ela nasce quando duas pessoas aprendem a colocar diante de Deus suas diferenças, seus desejos, seus medos e seus planos, até encontrarem uma direção que possam abraçar juntos.
O livro de Amós coloca uma pergunta que atravessa gerações e alcança diretamente a vida conjugal:
“Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?”
Amós 3:3
Essa pergunta revela uma verdade profunda: CAMINHADA E ACORDO ESTÃO LIGADOS.
Não significa que marido e esposa jamais terão opiniões diferentes. Significa que, para caminhar verdadeiramente juntos, precisam aprender a buscar uma direção comum.
O casamento não pode ser sustentado permanentemente por duas pessoas puxando para lados opostos.
É preciso aprender a dizer:
“Nós vamos buscar juntos.”
“Nós vamos decidir juntos.”
“Nós vamos enfrentar juntos.”
“Nós vamos colocar Deus no centro.”
A FORÇA DE UMA DECISÃO CONJUNTA
Há decisões que podem ser individuais. Mas existem decisões que alcançam o casal inteiro: mudanças de trabalho, finanças, criação dos filhos, ministério, relacionamentos, prioridades e escolhas que afetarão o futuro da casa.
A CONCORDÂNCIA transforma a decisão em responsabilidade compartilhada.
Quando marido e esposa conversam, oram, escutam um ao outro e chegam a uma direção comum, deixam de carregar a decisão como peso individual e passam a caminhar como parceiros.
O material original desta obra apresenta justamente a união, o diálogo, o companheirismo, o equilíbrio emocional e a confiança como elementos importantes para a vida conjugal.
Uma decisão tomada em conjunto não significa que os dois tiveram exatamente a mesma ideia.
Significa que os dois chegaram a um ponto em que podem dizer:
“Vamos seguir por este caminho juntos.”
Isso produz segurança.
Produz responsabilidade.
Produz pertencimento.
E fortalece a aliança.
O PERIGO DA DIVISÃO
A divisão dentro de uma casa nem sempre começa com uma grande ruptura.
Às vezes começa em pequenas distâncias.
Um decide sem consultar.
O outro guarda ressentimento.
Um fala.
O outro deixa de escutar.
Um quer avançar.
O outro se sente abandonado.
Um tenta controlar.
O outro começa a se afastar.
Pouco a pouco, aquilo que deveria ser uma parceria transforma-se em uma disputa.
Jesus usou a imagem de uma casa dividida para mostrar a fragilidade de qualquer estrutura que luta contra si mesma:
“Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.”
Mateus 12:25
Uma casa não precisa ser destruída por um inimigo externo quando começa a lutar contra si mesma.
Por isso, o casal precisa vigiar.
A DIVISÃO É UMA BRECHA.
E brechas precisam ser tratadas antes que se transformem em abismos.
UMA CASA DIVIDIDA
O casamento não foi criado para que marido e esposa se tornem adversários.
O problema deve estar diante do casal.
O casal não deve colocar um contra o outro.
Quando surge uma dificuldade financeira, não é:
“Marido contra esposa.”
É:
“Nós diante de um desafio.”
Quando aparece um conflito familiar, não é:
“Eu contra você.”
É:
“Nós precisamos buscar sabedoria para atravessar isso.”
Quando uma crise chega, o casal precisa lembrar que a aliança continua existindo mesmo quando a circunstância mudou.
Essa mudança de perspectiva é poderosa.
Ela preserva a dignidade.
Reduz a competição.
Protege a comunicação.
E devolve ao casamento a consciência de que existe uma ALIANÇA.
O texto original desta obra enfatiza que, quando o casal entra como um só, passa a pensar e assumir responsabilidade um pelo outro.
O verdadeiro inimigo não é o seu cônjuge.
O verdadeiro desafio é aquilo que ameaça a unidade da casa.
Por isso:
DOIS CONTRA O PROBLEMA.
Nunca:
UM CONTRA O OUTRO.
CONCORDÂNCIA NÃO SIGNIFICA AUSÊNCIA DE DIFERENÇAS
Marido e esposa continuam sendo duas pessoas.
Podem ter personalidades diferentes, experiências diferentes e maneiras diferentes de enxergar uma situação.
Concordar não significa apagar essas diferenças.
Significa aprender a tratá-las com RESPEITO.
A maturidade conjugal não exige que um sempre vença uma discussão.
Ela ensina que, muitas vezes, os dois precisam sair da lógica de:
“Quem está certo?”
e entrar na pergunta:
“O que é melhor para nossa aliança, para nossa casa e para o propósito que Deus nos confiou?”
Essa mudança pode transformar completamente uma conversa.
Concordância verdadeira não nasce da imposição.
Nasce de:
HUMILDADE • ESCUTA • RESPEITO • ORAÇÃO • SABEDORIA
É possível discordar sem desonrar.
É possível pensar diferente sem diminuir.
É possível defender uma ideia sem ferir a pessoa que está ao nosso lado.
O casamento não exige duas pessoas idênticas.
Exige duas pessoas dispostas a CAMINHAR JUNTAS.
APRENDENDO A DISCORDAR SEM DESTRUIR
Existem casais que confundem discordância com rejeição.
Se um pensa diferente, o outro entende:
“Você está contra mim.”
Então a conversa vira disputa.
A disputa vira acusação.
A acusação vira ferida.
E a ferida, quando não é tratada, pode virar distância.
Mas existe outra maneira.
É possível dizer:
“Eu vejo de outra forma.”
sem dizer:
“Você não sabe nada.”
É possível dizer:
“Preciso pensar melhor.”
sem usar o silêncio como punição.
É possível dizer:
“Não concordo com essa decisão.”
sem transformar o cônjuge em inimigo.
A concordância que Deus deseja construir no lar não elimina as conversas difíceis.
Ela cria um ambiente onde a conversa difícil pode acontecer sem destruir a comunhão.
A Bíblia apresenta o fruto do Espírito como uma realidade que alcança a maneira de viver e de se relacionar:
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”
Gálatas 5:22
Observe palavras preciosas para o casamento:
AMOR.
PAZ.
FIDELIDADE.
MANSIDÃO.
DOMÍNIO PRÓPRIO.
Não são apenas palavras bonitas.
São virtudes que precisam aparecer justamente quando o casal está sob pressão.
É fácil falar mansamente quando tudo está bem.
A maturidade aparece quando existe tensão e, mesmo assim, escolhemos não destruir com nossas palavras aquilo que levamos anos para construir.
O CASAL QUE APRENDE A OUVIR
Antes de procurar concordância, o casal precisa aprender a ouvir.
Ouvir é mais do que esperar o outro terminar de falar.
É tentar compreender.
É fazer perguntas.
É perceber aquilo que está por trás das palavras.
É reconhecer que, algumas vezes, uma reação forte esconde medo, cansaço, insegurança ou uma necessidade que ainda não foi expressa.
A confiança também cresce quando existe espaço para falar sem medo de ser ridicularizado.
Há uma diferença enorme entre:
escutar para responder
e
escutar para compreender.
O material-base desta obra destaca o valor do DIÁLOGO, do COMPANHEIRISMO, do EQUILÍBRIO EMOCIONAL e da CONFIANÇA na construção de uma vida conjugal saudável.
Talvez o seu cônjuge não esteja pedindo imediatamente uma solução.
Talvez esteja pedindo para ser ouvido.
Às vezes, a primeira atitude da concordância é simplesmente sentar e dizer:
“Fale. Eu quero entender você.”
A CONCORDÂNCIA DIANTE DE DEUS
A concordância cristã não termina na conversa entre marido e esposa.
Ela leva o casal à presença de Deus.
Há momentos em que nenhum dos dois sabe exatamente o que fazer.
Há decisões em que as emoções estão fortes demais.
Há situações em que cada um possui uma convicção diferente.
Nesses momentos, o casal precisa aprender a parar, orar e buscar direção.
Jesus ensinou sobre concordância em oração:
“Em verdade também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.”
Mateus 18:19–20
Esse texto aponta para uma realidade preciosa: a vida cristã não deve ser construída na independência de Deus.
No casamento, isso significa aprender a colocar diante do Senhor aquilo que o casal não consegue resolver sozinho.
ORAR JUNTOS.
BUSCAR JUNTOS.
ESPERAR JUNTOS.
OUVIR A DEUS JUNTOS.
QUANDO O CASAL COLOCA DEUS NO CENTRO
A oração não deve ser usada para transformar Deus em instrumento de uma vontade que já foi decidida.
Concordar diante de Deus significa permitir que ambos sejam confrontados, ensinados e conduzidos por Ele.
Às vezes, depois de orar, um precisa mudar de ideia.
Em outras situações, os dois percebem que precisam esperar.
Em outras, encontram uma terceira solução que nenhum deles havia considerado.
Esse é um dos sinais de maturidade:
não precisar vencer para que a casa avance.
O material original desta obra afirma que o casal precisa ser dependente do Espírito Santo e relaciona o fruto do Espírito à construção de um casamento bem-sucedido.
Quando Deus ocupa o centro, a pergunta deixa de ser:
“Como eu consigo fazer você aceitar minha vontade?”
e passa a ser:
“Senhor, o que precisamos aprender e fazer para honrar a Ti nesta situação?”
Essa pergunta pode mudar o rumo de uma conversa.
CONCORDÂNCIA TAMBÉM É RESPONSABILIDADE
Quando um casal concorda, ambos precisam assumir a parte que lhes cabe.
Não existe concordância verdadeira quando apenas um decide e o outro simplesmente obedece por medo.
Também não existe quando ambos concordam com palavras, mas ninguém assume responsabilidade pelas consequências.
A concordância bíblica produz COMPROMISSO.
Se decidiram economizar, ambos participam.
Se decidiram proteger o relacionamento, ambos respeitam os limites.
Se decidiram buscar mais a Deus, ambos cultivam a vida espiritual.
Se decidiram cuidar dos filhos, ambos compreendem que a responsabilidade não pode ser empurrada para apenas um.
ACORDO gera RESPONSABILIDADE.
UNIDADE gera COMPROMISSO.
COMPROMISSO exige FIDELIDADE.
QUANDO UM PRECISA CEDER
Ceder não significa perder.
Em um casamento saudável, às vezes um cede porque percebe que a paz vale mais do que o orgulho.
Em outras ocasiões, cede porque reconhece que o outro tem razão.
E há situações em que ambos cedem para construir uma solução melhor.
O ego pergunta:
“Por que eu tenho que ceder?”
O amor pergunta:
“Como podemos preservar nossa unidade?”
Mas existe uma verdade importante: preservar a unidade não significa aceitar injustiça, abuso ou pecado para manter uma aparência de paz.
Concordância cristã não é silêncio diante do mal.
É buscar a verdade com AMOR, SEGURANÇA, SABEDORIA e RESPONSABILIDADE.
Há uma diferença entre paz verdadeira e ausência de conflito.
Às vezes, a verdadeira paz começa justamente quando o casal finalmente tem coragem de conversar sobre aquilo que vinha sendo escondido.
O PODER DE UMA CASA QUE CAMINHA EM UNIDADE
Quando marido e esposa aprendem a conversar, orar, ouvir, decidir e assumir responsabilidades juntos, algo muda dentro do lar.
A casa deixa de ser apenas o lugar onde duas pessoas moram.
Ela passa a ser um espaço de:
PROPÓSITO.
PAZ.
FÉ.
COOPERAÇÃO.
HONRA.
O casal não precisa concordar sobre cada detalhe da vida.
Mas precisa proteger aquilo que é essencial:
A ALIANÇA.
A FIDELIDADE.
A HONRA.
A FAMÍLIA.
A FÉ.
A DIREÇÃO QUE ESCOLHERAM CONSTRUIR DIANTE DE DEUS.
A concordância não é uma fórmula para nunca enfrentar problemas.
É uma maneira de atravessar os problemas sem permitir que eles transformem marido e esposa em inimigos.
CONCLUSÃO — QUANDO O ACORDO SE TORNA UMA PONTE
Talvez hoje exista alguma área do casamento em que vocês estejam caminhando em direções diferentes.
Não escondam isso.
Não transformem a diferença em guerra.
Sentem-se.
Orem.
Escutem.
Falem com verdade.
Peçam perdão quando necessário.
Procurem compreender antes de exigir compreensão.
E coloquem a decisão diante de Deus.
A pergunta de Amós continua atual:
“Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?”
Amós 3:3
O casamento não precisa ser uma disputa para descobrir quem vence.
Ele pode ser uma aliança na qual dois aprendem, diariamente, a caminhar juntos.
Que Deus dê ao casal:
SABEDORIA PARA OUVIR.
HUMILDADE PARA CEDER.
CORAGEM PARA CONVERSAR.
FÉ PARA ORAR.
AMOR PARA PERMANECER UNIDO.
Porque quando o casal aprende a buscar concordância sem destruir as diferenças, a unidade deixa de ser apenas uma palavra.
TORNA-SE UMA FORMA DE VIVER.

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